segunda-feira, fevereiro 08, 2010
quinta-feira, janeiro 21, 2010
domingo, janeiro 03, 2010
sábado, julho 11, 2009
Volte a sorrir
Depois de agredir meu estômago com dois belos e calóricos pedaços de pizza acompanhados de uma tampouco recomendável Coca-Cola em lata, procuro no balcão da padaria um singelo guardanapo para retirar o limbo gorduroso que fica sempre de lembrança nos arredores da boca. Até esse dia eu ainda acreditava que nem tudo era negócio, e que a verdadeira felicidade nunca estivera ao alcance do dinheiro. Para minha surpresa, entretanto, vejo no inocente guardanapo o anúncio de uma empresa de implante dentário. De súbito me dou conta do mesmo serviço sendo oferecido durante a programação das mesas-redondas que debatem nosso futebol e nos programas da tarde, esses voltados mais para as mulheres, embora em ambos, o que de fato interessa aos anunciantes, é a baixa posição em que a grande maioria da audiência desse tipo de entretenimento se encontra. E há lugar mais formidável para anunciar um serviço como esse do que um pedaço de papel cuja única utilidade é limpar a boca que, no caso de milhões de brasileiros e brasileiras, esconde sequer alguns poucos dentes que ainda restaram inteiros? Certamente a parte mais sedutora do anúncio é a promessa de que o implante trará de volta ao bangela o sorriso durante anos reprimido e aprisionado dentro da boca. Nisso não lhe condeno, porque já julguei como infeliz quem não sorria apenas por vergonha. Aí me pergunto quantos dentes tem que ter um sorriso para ser de felicidade e se realmente basta a alguém sorrir para ser feliz. Mas para o alívio dos desdentados - e ao contrário do que eu pensava - até felicidade o dinheiro compra.
sábado, junho 27, 2009
domingo, junho 21, 2009
domingo, junho 14, 2009
quarta-feira, abril 08, 2009
Eu já divagava sobre o futuro da humanidade quando a senhorita do caixa, no cumprimento do seu dever, me trouxe de volta à realidade: "Nota fiscal Paulista, senhor?" Respondi que não. Digitei a senha, guardei no bolso o recibo e saí pensando em quem podia confiar.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Nem um mês depois encontrei-o por acaso numa das ruas do bairro. Eram quase seis da tarde de uma quinta-feira. Tinha arrumado um emprego aqui e estava de volta. A empresa fica do outro lado da cidade e o salário é pouco para maiores luxos, mas Magoo não escondia a felicidade de retornar às origens. "Pelo menos tô na vila de novo...", ponderava.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
sexta-feira, dezembro 12, 2008
domingo, novembro 30, 2008
Deus: Não pode ser outro dia? Ando muito ocupado ultimamente...
Diabo: Prometo ser breve.
Deus: Promessa é coisa de humano - entre nós não há dívidas.
Diabo: Força do hábito...
Deus: O que é dessa vez?
Diabo: Justamente os humanos - facilitam demais meu trabalho; me sinto pouco importante.
Deus: Nada serve pra você? - vive reclamando...
Diabo: As coisas mudaram muito - o senhor tem visto... Em outros tempos minha presença impunha respeito; eu suava a camisa. Que saudade da Idade Média! Mas agora, salvas as exceções, ninguém luta mais contra o próprio fim. Preciso de mais poder - a rotina, o vício, a guerra não perturbam mais os homens.
Deus: Mais poder? Já te dei todo o mal que há na Terra e vem você me dizer que ainda não é o suficiente... Eu sei o que você quer! Você quer tomar o meu lugar!
Diabo: Jamais, senhor! Meu maior desejo é servir apenas a ti e à tua obra.
Deus: Seja objetivo...
Diabo: Eu quero a Morte, senhor.
Deus: Imaginei...
Diabo: Pois se até a morte é devida a ti que importância terei? Mas se me desses a Morte, os homens, que já temem minha fama, lutariam com todas as forças contra o fim, pois saberiam que lá fatalmente me encontrariam.
Deus: Tua fama, de fato, vai longe... Mas, afinal, quem seria o porta-voz da mudança?
Diabo: Ora, como quem? A Igreja!
Deus: Oh, a Igreja! Sempre me esqueço dela!
quarta-feira, novembro 05, 2008
quarta-feira, outubro 01, 2008
sábado, agosto 16, 2008
domingo, agosto 10, 2008
Mauze: - Não bebi uma gota de cerveja esse fim-de-semana!
Camilo: - Por isso que eu não te vi...
(Pausa)
Mauze: - Acho que me tornei refém dos meus amigos bêbados...
Camilo: - Dos seus amigos bêbados ou da cachaça?
Mauze: - Durante a semana eu nem bebo... não sou alcólatra. E o alcólatra só bebe sozinho...
Camilo: - De fato...
Mauze: - Eu nunca bebo sozinho. E outra: só tomo cerveja. De vez em quando, muito esporadicamente, é que eu saio pra tomar um whisk.
Camilo: - Menos mal...
Camilo: - Complicado. Mas mesmo assim, entre os dois, sem dúvida os amigos. Com certeza a melhor escolha.
Mauze: - Melhor ou a menos pior?
Camilo: - Não sei... dos males o menor.
quarta-feira, julho 30, 2008
segunda-feira, julho 21, 2008
sábado, junho 21, 2008
A única coisa que eu esperava não me ocorrer no trânsito era ser fechado por uma carroça. Não falo ironicamente, como o nosso ex-presidente Collor de Melo quando se referiu à precariedade da frota nacional. No meu caso, tratava-se de uma verdadeira carroça movida a cavalo. Passado o susto, porém, um reflexão se impôs. Houve ali um paradoxo, um anacronismo... Aquela carroça não pertence mais a este mundo. É um peixe fora d'água. Provavelmente o maior símbolo de um estágio evolutivo que acreditamos ter superado na urbanização. Nada mais anti-urbano do que um veículo movido a cavalo. Nada mais medieval do que a carroça.
Sobretudo nessas horas que eu penso no Brasil... Há milhões de brasileiros condenados a viver na Idade Média. Milhões de brasileiros que em carroças correm atrás do progresso.